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Preço de energia de curto prazo deve atingir recorde histórico

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 30 Jan (Reuters) - O preço de energia elétrica de curto prazo para a próxima semana deve disparar e chegar ao recorde histórico, acima dos 800 reais por megawatt-hora, gerando mais custos para as distribuidoras de energia que estão expostas no curto prazo.

Segundo três agentes do setor ouvidos pela Reuters nesta quinta-feira, a alta do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) não indica perigo de racionamento ou falta de energia, e sim necessidade de acionamento das termelétricas mais caras para garantir o abastecimento.

"O PLD vai bater o limite dele", disse à Reuters o presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Mario Menel, ao se referir a informações de agentes do setor elétrico que fazem previsão de preço.

De acordo com Menel e o presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos, o PLD deve chegar a 822,83 reais por MWh. Além de ser um recorde histórico para o PLD, trata-se do preço máximo definido para este ano.

O PLD vem subindo pelo menos desde o início do ano, em pleno período úmido, e chegou a média de 486,59 reais por MWh nesta semana.

Os dados oficiais sobre o PLD da próxima semana serão conhecidos na sexta-feira, com a divulgação de informações pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O preço de energia de curto prazo deverá subir diante de uma estimativa de menos chuva nas áreas abastecem os reservatórios das hidrelétricas, segundo os agentes.

"É o maior preço de PLD da história... O que a gente faz é pegar os dados que imaginamos que o ONS vai usar e fazemos as simulações", explicou Vlavianos, da Comerc.

O PLD é calculado semanalmente com base nas expectativas de chuva, vazão, carga e custo de operação do sistema, entre outros fatores.

Uma terceira fonte do setor, que falou sob condição de anonimato, confirmou que a tendência é que o PLD para a próxima semana chegue à máxima histórica. "O Custo Marginal de Operação (CMO) do sistema deve bater os 1.100 reais por MWh", disse.

O modelo de operação do sistema para a próxima semana a ser apresentado pelo ONS deve indicar o acionamento das térmicas mais caras (a óleo e diesel), segundo as fontes, o que explicaria o aumento do PLD.

O despacho térmico que hoje está em cerca de 13 mil MW médios pode chegar a cerca de 14,5 mil MW médios na próxima semana, segundo a Comerc e a outra fonte do setor.

Ao preço atual de PLD, as distribuidoras de energia que estão descontratadas no curto prazo em cerca de 3,5 mil megawatts médios (MW) podem ter um impacto no caixa entre 1 bilhão e 1,5 bilhão de reais por mês, segundo Menel e Vlavianos.

As distribuidoras tiveram no ano passado a exposição de curto prazo coberta pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) com a ajuda do governo federal, mas para este ano o repasse ainda não está regulamentado.

Desde setembro do ano passado, houve alterações no modelo de operação do sistema e de cálculo de preço de energia de curto prazo, com objetivo de dar mais segurança à operação do sistema e ao abastecimento do país.

(Edição de Cesar Bianconi e Raquel Stenzel)

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