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Após alívio em abril, geradoras esperam pelo pior

Valor Econômico - 21/05/2014

 

Por Claudia Facchini | De São Paulo


A exposição das geradoras de energia hídrica ao mercado de curto prazo foi praticamente nula em abril, livrando as companhias de um gasto bilionário. Em março, como as hidrelétricas entregaram um volume 6% menor que o previsto em seus contratos, a geradoras tiveram de comprar essa energia pelo preço spot, o que lhes custou R$ 2 bilhões. Em todo primeiro trimestre, a conta já se aproximou de R$ 3 bilhões.

 

Sempre que há um déficit na geração, as empresas precisam comprar a diferença no mercado para atender 100% da quantidade assegurada aos seus clientes.

Apesar do breve alívio em abril, as perspectivas para o restante do ano continuam ruins, afirmou o diretor de planejamento e controle da Tractebel, Edson Luiz da Silva. Segundo ele, o rombo na oferta de energia hídrica pode custar ao setor entre R$ 13 bilhões e R$ 24 bilhões neste ano. O valor final vai depender do comportamento dos preços.

 

Em julho, estima-se que o déficit na produção hídrica possa saltar para 13%, cenário que, se concretizado, levaria as geradoras a uma exposição de até R$ 3,75 bilhões somente naquele mês se o preço spot do megawatt-hora permanecer no teto regulatório, de R$ 823.

 

De acordo com Silva, o fator de geração das hidrelétricas, conhecido pela sigla GSF, voltou a se aproximar de 1 em abril, o que correspondeu a 100% do volume assegurado no sistema hidroelétrico nacional. Quando o GFS é menor que 1, as geradoras ficam descobertas (short) e precisam comprar energia no mercado disponível.

 

Em abril, o Operador Nacional do Sistema (ONS) voltou a puxar mais energia das hidrelétricas. Ao que tudo indica, isso foi feito para compensar, temporariamente, uma menor geração nas usinas nucleares, disse Silva. É a primeira vez que isso ocorre neste ano, já que as hidrelétricas têm sido poupadas devido à escassez de água.

Em março, o GSF das hidrelétricas caiu para 0,94, o que correspondeu a um déficit de 6% em relação ao total contratado. Essa exposição custou ao setor R$ 1,88 bilhão. Nos meses de janeiro e fevereiro, o GSF também havia sido menor que 1, alcançando 0,96 e 0,98, respectivamente, levando a uma exposição de R$ 580 milhões em janeiro e de R$ 510 milhões.

 

Com exceção de abril, é esperado que o GSF volte a despencar, atingindo 0,96 em maio e 0,90 em junho. Em julho, o GSF pode mergulhar para 0,87, o mais baixo patamar do ano, oscilando entre 0,89 e 0,91 entre agosto e setembro.

 

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Autoprodutores de Energia (Abiape), Mario Menel, os custos com o GSF só agravam os problemas no setor elétrico. A Abiape reúne 11 grandes grupos industriais, como Vale, Votorantim, Alcoa e Gerdau, que investem em empreendimentos de geração de energia para reduzir custos, como na usina de Belo Monte. Os autoprodutores possuem 7,2 mil MW de capacidade instalada.

 

Na avaliação de Menel, o mercado livre de energia caminha para a "extinção" após as medidas anunciadas pelo governo, que destinou 100% da produção das hidrelétricas que tiveram suas concessões renovadas para as distribuidoras (mercado regulado). Desde 2010, os autoprodutores não investem em novos projetos, o que diminuiu de 6,4% para 5,7% a participação detida por essas empresas na capacidade instalada de geração de energia do país, disse o executivo.

Menel e Silva participaram ontem de um seminário promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

 

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Hoje, o Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico - FMASE conta com 19 entidades na sua formação, e é uma das principais vozes do setor para tratar das questões ambientais referentes aos empreendimentos de geração de energia.


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