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Geradoras querem crédito do BNDES para cobrir rombo

Valor 14/04/15


Natalia Viri

 

As geradoras de energia querem ajuda do BNDES para cobrir o rombo bilionário provocado pela produção de energia abaixo da garantia física em virtude dos baixos níveis dos reservatórios. A Associação dos Produtores Independentes de Energia (Apine) pede uma linha de financiamento com prazo de carência de dois anos. A partir de 2017, o valor seria transferido para o consumidor via o Encargo de Serviços do Sistema (ESS).

 

Em 2014, quando o déficit hídrico ficou em pouco menos de 10%, mais de R$ 20 bilhões foram gastos com compras no mercado de curto prazo. Neste ano, mesmo com a queda pela metade no teto do preço spot, a expectativa é que esse custo possa chegar a R$ 30 bilhões. Com os reservatórios em níveis críticos e as térmicas despachando a plena capacidade, o déficit hídrico deve girar entre 12% e 20%, apontam especialistas.

 

O pedido das geradoras vem menos de um mês após o fechamento da terceira tranche de um conjunto de empréstimos que somam, ao todo, R$ 21 bilhões, direcionados às distribuidoras e que será cobrado nas contas de luz. Nesse caso, no entanto, o financiamento foi tomado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) junto a um sindicato de bancos comerciais.

 

"As geradoras vão começar a quebrar, o que é uma situação indesejável para todo mundo", afirma Mário Menel, coordenador do Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase) e presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape). Segundo ele, não há um consenso entre todos os agentes sobre a soluções para o problema. O consenso, no entanto, é que alguma decisão precisa ser tomada de forma urgente para preservar a saúde financeira para que haja interesse em novos projetos.

 

Pela regulação do setor elétrico, o chamado "risco hidro" lógico é de responsabilidade das próprias geradoras. Elas argumentam, contudo, que, com a seca, a atual metodologia de cálculo do rateio desse déficit já não é mais adequada. Representantes do setor afirmam que o despacho de termelétricas fora da ordem de mérito e a entrada de energia de reserva, via eólicas ou plantas solares, acabam tomando o lugar das hídricas e fazendo com que elas arquem com um custo excessivo com o arranjo regulatório atual. "Isso já não é mais risco hidrológico e a gente segue arcando", diz Menel.

fmase

Hoje, o Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico - FMASE conta com 19 entidades na sua formação, e é uma das principais vozes do setor para tratar das questões ambientais referentes aos empreendimentos de geração de energia.


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