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Elétricas lucram 20% menos no segundo trimestre

Valor Econômico - 18/08/2014

Por Claudia Facchini

As elétricas registraram, de forma geral, um desempenho ruim no segundo trimestre deste ano. Os piores balanços vieram das empresas de distribuição, que foram afetadas pelos elevados custos com aquisição de energia. As geradoras continuaram ganhando dinheiro com a venda de energia no mercado de curto prazo, mas os ganhos não foram tão espetaculares como os obtidos nos três primeiros meses, já que as hidrelétricas geraram menos em razão da seca.

De acordo com um levantamento feito pelo Valor, se somados os resultados de 12 grandes companhias do setor, o lucro dessas empresas no segundo trimestre totalizaria R$ 1,7 bilhão, valor 20% menor que o registrado em igual período de 2013. Nos três primeiros meses do ano, ao contrário, essas mesmas companhias haviam ostentado um resultado 66% maior na última linha do balanço, acumulando um ganho de R$ 4,7 bilhões.

Fazem parte da amostra a Eletrobras, Tractebel, Cesp, Cemig, Copel, CPFL Energia, AES Tietê, AES Eletropaulo, Light, Energias do Brasil, Elektro e Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep).

No caso das distribuidoras, os recursos liberados no começo do ano pelo governo federal, por meio da chamada "Conta-ACR", no valor de R$ 11,2 bilhões, só cobriram as despesas das concessionárias até abril. O novo pacote de ajuda, no valor de R$ 6,6 bilhões, não chegou a tempo para salvar os balanços. Mas, pelo menos, deve garantir resultados melhores no terceiro trimestre.

A Eletrobras foi uma das empresas mais prejudicadas. Depois de lucrar perto de R$ 1 bilhão nos três primeiros meses do ano, sobretudo com o seu braço de geração, a gigante estatal fechou o segundo trimestre com um prejuízo de R$ 104,6 milhões. O desempenho foi fortemente impactado pelos custos das distribuidoras, bem como por despesas judiciais e provisões para contingências e perdas de ativos financeiros.

Outras distribuidoras também fecharam suas contas no vermelho. A maior empresa do setor do país, a AES Eletropaulo, que atende a região metropolitana de São Paulo, acumulou uma perda de R$ 354,4 milhões na última linha do balanço entre abril e junho, revertendo o lucro de R$ 245,3 milhões obtido em igual período do ano passado. A Elektro, que distribui energia no interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul, registrou um prejuízo de R$ 24,4 milhões no segundo trimestre, após ter lucrado R$ 62,4 milhões em igual período do ano passado.

A Light, que distribui energia no Rio de Janeiro, fechou no azul, com um lucro de R$ 15,3 milhões no segundo trimestre, mas o resultado foi 73,8% menor que o registrado um ano antes.

A CPFL, que controla sete distribuidoras de energia em São Paulo e uma no Rio Grande do Sul (RGE), foi uma exceção. A empresa contabilizou um lucro de R$ 164,6 milhões entre abril e junho, após ter amargado um prejuízo de R$ 121 milhões em igual período de 2013, quando seu resultado foi impactado por uma provisão não recorrente. Em bases comparáveis, o lucro da CFFL teria sido de R$ 255 milhões no segundo trimestre, 7,5% maior que o obtido em igual período do ano passado.

O bom desempenho veio do braço de geração, que rendeu à CPFL um lucro de R$ 255 milhões em todo primeiro semestre, 15,2% maior que o obtido na primeira metade de 2013. No braço de distribuição, ao contrário, o resultado foi 24% menor, totalizando R$ 439 milhões entre janeiro a junho. Mas, mesmo mais baixo, o desempenho superou as expectativas de alguns analistas.

Em teleconferência na sexta-feira, o presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Júnior, afirmou que a elevação dos preços, sobretudo no mercado livre, fez com que as indústrias reduzissem em 3,1% o consumo no segundo trimestre. O executivo demonstrou estar preocupado com a perda de competitividade da indústria brasileira. Mas, segundo ele, seus clientes industriais ainda não reduziram a demanda por energia contratada. "Isso não ocorreu", disse Ferreira, que espera ter uma "ideia melhor" sobre o impacto dos preços sobre a demanda no fim do ano.

Os analistas também temem que a forte elevação das tarifas aumente os casos de furtos e fraudes - os populares "gatos". Ferreira firmou que a CPFL descarta esse efeito devido aos investimentos feitos em medidores, que permitem acompanhar em tempo real o que acontece na rede. "Estamos bastante blindados," acrescentou.

No caso das geradoras, as empresas continuaram apresentando fortes resultados em decorrência dos altos preços no mercado de curto prazo (spot). No entanto, o vilão nesse segmento foi o déficit na geração das hidrelétricas, fator conhecido pela sigla GSF (em inglês). No segundo trimestre, as usinas não entregaram 6% do volume previsto (garantia física), déficit que é rateado proporcionalmente por todos os empreendimentos que fazem parte do sistema. A CPFL estima que, no segundo semestre deste ano, o déficit vai se aprofundar ainda mais, para 10%, fechando o ano em torno de 7,5% ou 8%.

Algumas geradoras, como a Tractebel, também foram afetadas por uma menor alocação de energia no segundo trimestre, aliada ao hídrico acima do esperado. O lucro líquido da Tractebel foi de R$ 73,7 milhões no segundo trimestre, 77% menor que o obtido em igual período do ano passado.

Mesmo a Cesp e a Cemig, que possuem energia descontratada, ganharam menos dinheiro que no primeiro trimestre, apesar dos bons resultados. O lucro da Cemig cresceu 20% em relação ao segundo trimestre de 2013, para R$ 741 milhões. Mas a estatal mineira havia lucrado de R$ 1,25 bilhão no primeiro trimestre do ano.

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Hoje, o Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico - FMASE conta com 19 entidades na sua formação, e é uma das principais vozes do setor para tratar das questões ambientais referentes aos empreendimentos de geração de energia.


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