Notícias do Setor

Tolmasquim nega crise no setor elétrico

O Estado De SP 17/10/14

 Antonio Pita

 Presidente da EPE diz que petróleo mais barato não ameaça a Petrobrás, mas, para Adriano Pires, finanças correm risco

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou ontem que a queda do preço internacional do petróleo não traz "o mínimo risco" à Petrobrás e seu plano de investimento. Tolmasquim participou de debate com o consultor Adriano Pires, sobre o cenário de energia para o futuro governo. Pires, que auxilia a campanha do PSDB, avaliou que há uma "crise sem precedentes" no setor, destacando que o País só não enfrenta novo racionamento em função do baixo crescimento econômico.

"O pré-sal é viável com petróleo entre US$ 41 a US$ 57 no Brasil. Antes de o petróleo da Petrobrás ficar inviável, muitos outros produtores no mundo cairiam. Não tem o mínimo risco, nenhum risco", afirmou Tolmasquim, após participar do debate promovido no canal GloboNews.
Segundo o executivo, o cenário atual é mais confortável à empresa, apesar da desconfiança do mercado com o impacto sobre seus investimentos. "A situação da Petrobrás ficou mais confortável. Vai entrar no período em que provavelmente vai ter recuperação de caixa."
Ele defendeu a política de não passar volatilidade do preço internacional para o mercado interno. "A decisão de aumentar ou não é da Petrobrás, do conselho", disse.
A queda no preço do óleo Brent, que fechou ontem com cotação de US$ 84, alivia a perda acumulada com a defasagem de preços da companhia, atualmente estimada em cerca de R$ 60 bilhões. Por outro lado, traz reflexos negativos sobre o plano de investimentos da empresa, calculado com uma cotação entre US$ 100 e US$ 120.
Na avaliação do consultor Adriano Pires, a mudança no cenário "ameaça os investimentos", uma vez que o caixa da empresa está sacrificado pela atual política de preços. "O Brasil é o único País onde quem determina o preço do petróleo e da gasolina é o IPCA", disse. "Vamos parar de administrar preços de gasolina e diesel, retomar a Cide. Vamos tratar a Petrobrás como empresa, de maneira que volte a retomar o caminho da lucratividade e eficiência."
Polarização. A comparação partidária marcou o embate entre os representantes das duas campanhas presidenciais. Os participantes criticaram, de um lado, o racionamento de 2001, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e do outro, o alto endividamento das distribuidoras de energia, socorridas em mais de R$ 17 bilhões pelo governo.
Tolmasquim afirmou que as propostas tucanas são "demagógicas" e negou que haja uma crise no setor. "Você prioritariamente gera hidrelétrica, com custo baixo, e as térmicas ficam paradas, porque é caro. Para despachar essas térmicas tem de pagar combustível. Não tem milagre. Quem paga é o consumidor", afirmou.
Pires acusou o governo de ser "autoritário" e fazer "populismo tarifário", em referência ao corte das tarifas, feito em 2013 via medida provisória. Ele classificou de "irresponsabilidade" o baixo nível dos reservatórios, o que acarreta um "risco elétrico enorme", e avaliou a atual política de "improviso" e uma "sequência de erros e barbeiragens". "O governo optou pela modicidade tarifária e esqueceu a segurança do abastecimento. Desde 2012 as térmicas já estavam sendo ligadas, o custo já estava crescendo", disse. "Vamos viver um verão de muitos apagões e apaguinhos."


Governo garante que situação do setor de energia está sob controle

 

O Estado De SP 17/10/14


Segundo os cálculos oficiais, o risco de falta de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste é de 5% em 2015
Segundo informações oficiais, o risco de falta de energia nas Regiões Sudeste/Centro-Oeste em 2015 chegou ao limite de exposição de 5%, teto definido pelo governo. Esse índice leva em consideração um histórico de 2 mil cenários de acúmulo de água verificados nos reservatórios das usinas hidrelétricas do País. No caso dos reservatórios do Nordeste, que também sofrem com a estiagem, o risco seria de 0,5%, segundo o governo.
Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) informou ontem que a situação está sob controle e que não há risco de falta de abastecimento de energia ao País. "Esses riscos atendem ao critério de planejamento estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e confirmam a garantia do suprimento no ano de 2015, uma vez que se dispõe atualmente de um parque de geração termoelétrico significativo, que vem sendo utilizado, sempre que necessário, como complementação à geração hidrelétricas", informou o MME.
Térmicas. A oferta menor da geração hidrelétrica ao longo de 2015 vai impor, inevitavelmente, o acionamento constante de todo o parque térmico em operação no País, fonte que hoje responde por 29,98% de toda a capacidade de energia instalada.
Paralelamente, o governo também conta com o acionamento adicional de 5.200 megawatts de energia eólica, carga prevista para entrar em operação ao longo de 2015.
Nas contas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o crescimento médio do consumo de energia em 2015 será de 3,1% em relação a este ano. No quadriênio 2014-2018, a projeção é de uma alta 3,9% ao ano. Do lado da geração, a expansão planejada é de 4% por ano.
Esses números estão sujeitos a oscilações durante o ano. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, o consumo de energia pelo setor comercial e pelos usuários residenciais registrou crescimento forte em relação ao mesmo período de 2013, com altas de 9,9% e 8,1%, respectivamente. O aumento foi consequência direta das temperaturas "muito acima das esperadas para os dois primeiros meses de 2014", segundo o governo.
Nos próximos quatro anos, as classes comercial e residencial devem seguir com as maiores taxas de consumo: 4,5% e 4,3% anuais, respectivamente. A indústria, segundo relatório da EPE, tem a pior taxa de crescimento prevista até 2018 (3,5% ao ano).

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Hoje, o Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico - FMASE conta com 19 entidades na sua formação, e é uma das principais vozes do setor para tratar das questões ambientais referentes aos empreendimentos de geração de energia.


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