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Novas linhas exigirão R$ 3 bi da Eletrobras

Valor 19/11/14

Natalia Viri e Rodrigo Polito

Caixa apertado e sucessivos prejuízos não impediram a Eletrobras de participar ativamente do leilão de transmissão de energia realizado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A subsidiária Eletrosul foi o grande destaque do leilão e será a responsável por R$ 3,2 bilhões do total de R$ 3,6 bilhões em investimentos previstos para os quatro lotes licitados.

O montante equivale a 5,3% do volume total de investimentos previstos pela estatal federal no plano de negócios 2014-2018, de R$ 60,8 bilhões e é equivalente a 40% dos recursos que a empresa tem em caixa livre para uso e aplicações financeiras. Essas reservas já são 15% menores que as registradas no começo do ano. Desde o lançamento da Medida Provisória 579, que reduziu as tarifas de energia, em setembro de 2012, a queima de caixa já é da ordem de 30%.

"A Eletrobras já tinha previsto recursos para investimento nessas linhas [de transmissão] no plano de negócios e, portanto, os recursos para sua construção estão assegurados", disse a companhia em nota ao Valor. Entre especialistas, no entanto, há dúvidas quanto à capacidade de tocar o ambicioso programa de investimentos, que inclui a implantação da usina de Belo Monte, de 11,2 mil gigawatts (GW) de capacidade instalada, no Pará, e as usinas do Rio Madeira, em Rondônia.

"O balanço apertado, o pesado plano de investimentos e a queda na lucratividade aumentaram a possibilidade de um aumento de capital no médio prazo", disseram os analistas do Citi em relatório publicado na segunda-feira, após a estatal ter reportado um prejuízo de R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre.

Com as concessões de geração e transmissão renovadas por preços muito menores que os praticados anteriormente, além de distribuidoras deficitárias, é consenso que a companhia tem de buscar novas fontes de crescimento. Mas o que preocupa o mercado é o apetite da estatal por projetos que não atraem o interesse de outros investidores.

Ontem, a Eletrosul fez uma oferta com deságio de 14% em relação à receita anual permitida (RAP) de R$ 390,8 milhões para construir quatro linhas de transmissão, que somam ao todo, 2,2 mil quilômetros, no Rio Grande do Sul. A espanhola Abengoa fez propostas para apenas duas linhas e, ainda assim, sem desconto em relação à receita teto estabelecida pelo regulador.

A subsidiária da Eletrobras com atuação no Sul do país participou ainda de um consórcio que levou outro lote, para construção de 265 quilômetros em linhas no Mato Grosso do Sul, com uma fatia de 24,5%. Não houve concorrência. A espanhola Elecnor é a majoritária no projeto, com 51% A Copel, que tinha participação de 24,5%, informou que desistiu da parceria logo após o fim do certame. "A companhia exerceu o direito de declinar da participação, conforme prevê o contrato de formação da parceria", disse em breve comunicado.

Segundo apurou o Valor, a Eletrosul deve assumir os investimentos relativos à fatia da empresa paranaense e, com participação de 49%, deve desembolsar R$ 96 milhões dos R$ 196 milhões totais para colocar o projeto de pé.

No leilão de transmissão, apenas quatro dos nove lotes oferecidos receberam propostas. Além das linhas em que a Eletrosul foi vencedora, a espanhola Isolux ficou com uma linha de 105 quilômetros entre o Amapá e o Pará e que aumentará a confiabilidade do fornecimento de energia gerada pelas usinas hidrelétricas da região. Como proponente única, o deságio foi baixo, de apenas 0,60% em relação à receita máxima. Uma linha de menor porte, com apenas 11 quilômetros e RAP de R$ 1,6 milhão, em Goiás, ficou por conta da estatal Celg.

Os cinco lotes que não foram vendidos dizem respeito a projetos de pequeno porte nos Estados do Pará, Mato Grosso, Tocantins e Minas Gerais. Esses empreendimentos devem voltar a ser licitados no próximo ano e a tendência é que sejam agrupados para atrair mais investidores. "Foram obras relativamente pequenas, em regiões mais remotas. Vamos discutir a possibilidade de agregar outros lotes e fazer uma massa maior de empreendimentos para gerar sinergia e ganhos de escala", disse José Jurhosa, diretor da Aneel.

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Hoje, o Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico - FMASE conta com 19 entidades na sua formação, e é uma das principais vozes do setor para tratar das questões ambientais referentes aos empreendimentos de geração de energia.


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