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EUA e China acertam corte de emissões de gases-estufa

Valor 13/11/14

 

Daniela Chiaretti

 

O surpreendente anúncio feito ontem pelos presidentes dos EUA, Barack Obama, e da China, Xi Jinping, de corte de emissões de gases-estufa tem dois pontos importantes: é um forte indicador de que as grandes economias do mundo estão no rumo do baixo carbono e um sinal positivo para o acordo global a ser firmado em 2015, em Paris. Mas há também duas dúvidas importantes: o acordo não tem detalhes no lado chinês e a implementação do compromisso nos EUA ficará na dependência do sucessor de Obama na Presidência.

Ontem, em Pequim, durante o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), Obama e Xi anunciaram um acordo bilateral que vinha sendo negociado em segredo havia nove meses.

Os Estados Unidos se comprometeram com uma redução de suas emissões entre 26% e 28% até 2025, em relação aos níveis de 2005 - comprometendo-se a fazer "o melhor possível para chegar a 28%", conforme o comunicado da Casa Branca. A meta anterior, divulgada em 2009, era de cortar 17% em 2025 em relação a 2005.

"Os EUA estão dizendo que irão reduzir 17% em 15 anos e mais 9% a 11% [os 26% a 28%] em cinco anos", diz Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima. "É mais que o dobro do ritmo atual de queda das emissões americanas."

A China, por sua vez, se comprometeu a alcançar o pico das emissões de CO2 por volta de 2030 - "fazendo o melhor possível para atingir esse pico antes de 2030", diz o comunicado da Casa Branca. Isso, na prática, significa que a China pretende estabilizar em breve as suas emissões e começar a trilhar uma curva descendente. Além disso, os chineses pretendem reduzir a sua fatia de combustíveis fósseis na matriz energética em 20% até 2030.

As emissões de gases-estufa de Estados Unidos e China (somando todos os gases, além do CO2) representam 1/3 das emissões mundiais. A Europa, que responde por 9% dos gases-estufa globais anunciou recentemente cortes de 40% para 2030, com base em 1990. Agora, a bola está com outros grandes emissores - Índia, Rússia, Indonésia, Brasil e Japão. Eles têm até o final de março para divulgar as suas metas de redução para depois de 2020.

Com o acordo, Obama contorna o histórico argumento de oposição dos republicanos a qualquer passo dos EUA no front climático - eles sempre disseram que a China deveria mover-se também para não punir excessivamente a economia americana.

Obama pode cumprir a sua promessa sem ter de passar pelo crivo do Congresso - que terá a partir de janeiro maioria republicana - executando o compromisso com medidas da EPA, a agência ambiental americana, ou com regras do Departamento de Energia. É o que fez recentemente ao determinar padrões de emissão para termelétricas a carvão.

O problema é que essas regras podem levar algum tempo para serem formuladas e entrariam em vigor em 2016, quando Obama estará terminando o seu mandato. O anúncio de ontem irritou os congressistas republicanos.

O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, disse que o plano de Obama é "irrealista" e irá significar "menos emprego". McConnell representa o Estado do Kentucky, produtor de carvão, e é o favorito para ser o presidente do Senado. "O acordo exige que os chineses não façam nada por 16 anos, enquanto essas regras climáticas estão gerando o caos no meu Estado e em todo o país", disse.

A meta chinesa de colocar 20% de energias renováveis em sua matriz até 2030 "pode não parecer muito ambiciosa, mas é", diz Li Shuo, analista de energia do Greenpeace China. O presidente Xi anunciou que a China irá instalar 1000 GW de renováveis até 2030. "Isso é quase o tamanho de todo o setor energético dos EUA", diz.

"O anúncio EUA-China é um marco histórico na política internacional climática", afirma Martin Kaiser, coordenador da política internacional de clima do Greenpeace alemão. "Embora tenha que haver mais ambição, dá esperanças ao acordo de Paris e é um sinal para a necessidade de se deixar de consumir carvão e petróleo."

"Este anúncio é bem-vindo e irá aumentar a expectativa sobre os compromissos de outros países, como o Brasil, de colocar suas metas antes do final de março de 2015", avalia Mark Lutes, coordenador de política financeira do clima do WWF Internacional. "Mas ainda estão distantes do necessário. Esperamos que sejam revistas durante a negociação do acordo."

O Brasil teve trunfos sobre a redução no desmatamento, mas agora enfrenta uma tendência de alta nos índices. O país tem metas voluntárias de redução para 2020 e não definiu ainda seus compromissos para o futuro.

Procurado pelo Valor, o Ministério das Relações Exteriores não se manifestou ontem sobre acordo entre americanos e chineses. (Com agências internacionais)

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