Notícias do Setor

Usinas a carvão serão maioria em leilão do governo

Os três projetos de usina a carvão habilitados para o próximo leilão de oferta de energia para 2018 representam pouco mais da metade (52%) da capacidade de todos que entrarão na disputa — são 36 empreendimentos, que somam 3.535 megawatts (MW). Duas delas estão previstas para o Rio Grande do Sul e uma para o Rio de Janeiro (da MPX, no Porto do Açu), que terá capacidade instalada de 590 MW. O leilão será na próxima quinta-feira, 29. É a primeira vez em cinco anos que participam projetos de térmicas a carvão. A retomada do combustível— que é o segundo mais poluente, só atrás do óleo — foi considerado um retrocesso por especialistas e ambientalistas.

 

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aprovou 16 projetos de térmicas a biomassa, com capacidade total de 919 MW; 16 projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCIls), com 376 MW de capacidade; e a hidrelétrica Sinop, no Rio Teles Pires (MT), com 400 MW.

- A retomada do carvão no Brasil é culpa dos movimentos ambientais, que inviabilizaram as usinas hidrelétricas — afirmou Alexandre Rangel, sócio da área de energia e mineração da consultoria EY (antiga Ernest & Young).

Gás levou ao abandono do carvão

 

Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace Brasil, classifica como retrocesso a retomada da construção de térmicas a carvão. Mas, argumenta, a culpa não é dos ambientalistas, mas sim da falta de planejamento, pois o país já deveria ter optado pelas energias mais limpas — como eólica, solar e biomassa — para serem usadas como fontes complementares nos períodos secos, quando os reservatórios das hidrelétricas estão mais baixos.

 

— é uma incoerência ter usinas a carvão porque não saem as hidrelétricas. Muitas coisas precisam ser revistas no processo de licenciamento — disse.

Já o presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan, diz que o Brasil não está na contramão ao retomar usinas a carvão. Elas são, segundo ele, muito competitivas, com um custo entre R$ 70 a R$ 100 o.me-gawatt/hora (MWh). Além disso, conta, as usinas usarão tecnologias mais avançadas — que aproximam de zero as emissões de sulfatos, nitratos e particulados.

 

— Elas nunca deveriam ter saído dos leilões de energia no Brasil. E o Brasil não está na contramão do mundo. Na Europa, vários países estão desenvolvendo projetos de usinas a carvão .

Apesar dos argumentos, a resistência contra o uso de carvão se repete em âmbito internacional: o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, apresentou, recentemente, sugestão ao conselho do banco para não aprovar financiamentos de usinas que utilizam o combustível.

 

— As térmicas a carvão estão saindo do mercado por conta do shale gás (gás natural não convencional extraído de rochas), que proporciona fortes excedentes de gás — diz Alexandre Rangeu, da EY.

 

No Brasil, porém, o fenômeno não se repetirá nem com a exploração do pré-sal, pois não deverá haver muito excedente de gás para ser usado em térmicas. Isto porque boa parte do gás terá de ser reinjetado nos poços para elevar a produtividade.

 

BNDES facilita financiamento

 

Conforme a EPE, foram inscritos 12 projetos de hidrelétricas para o leilão de quinta-feira, mas só Sinop possui Licença Ambiental Prévia, exigida para a habilitação. O presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, tem dito que o baixo número de hidrelétricas se deve às dificuldades de obtenção de licenças. A EPE espera, contudo, que estes projetos possam ser incluídos no segundo leilão, que acontecerá em dezembro. Nesse grupo está a Usina de São Manoel, também no Rio Teles Pires, com 700 MW.

 

Polêmica. Usinas a carvão, como a termelétrica Presidente Medici, voltam à cena após 5 anos

“É uma incoerência ter usinas a carvão porque não saem as hidrelétricas. Muitas coisas precisam ser revistas no processo de licenciamento” – Ricardo Baitelo Coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace Brasil

 

O BNDES divulgou ontem novas regras para o financiamento de projetos de energia, que valerão para os três leilões previstos para este ano, inclusive o de quinta-feira. De acordo com Antônio Tovar, do BNDES, o banco facilitará os empréstimos, inclusive para as térmicas a carvão, que terão o prazo de financiamento alongado de 14 anos para 16 anos. No caso das hidrelétricas, o prazo passará de 16 para 20 anos. O BNDES também reduzirá a necessidade de capital próprio dos empreendedores nos projetos e facilitará a emissão de de-bêntures, que terão garantias compartilhadas com o banco. Caso emitam papéis, as usinas poderão adotar a tabela Price ao invés da SAC, o que será mais vantajoso:

 

— Queremos que as facilidades do banco cheguem ao consumidor final, que possa pagar menos pela energia — afirmou Tovar, lembrando que os três leilões podem gerar investimentos de R$ 100 bilhões.

 

Fonte: O Globo

fmase

Hoje, o Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico - FMASE conta com 19 entidades na sua formação, e é uma das principais vozes do setor para tratar das questões ambientais referentes aos empreendimentos de geração de energia.


Leia mais...

ABIAPE | Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia

SCN Quadra 4 Ed. Centro Empresarial Varig Sala 101 CEP: 70714-900 Brasília/DF
Tel/Fax: (61) 3326-7122 | E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

abiape